Um processo crítico de segurança operacional feito em papel e planilhas, sem padronização entre unidades, foi repensado do zero como aplicação mobile nativa para inspeção de extintores em campo.
Devido a acordos de confidencialidade (NDA), todos os projetos apresentados a seguir tiveram suas identidades visuais, fluxos de negócio e dados sensíveis anonimizados ou alterados. O foco destas apresentações é demonstrar o raciocínio estratégico e o processo de design aplicado.
Uma grande empresa do setor de óleo e gás realiza inspeções de segurança regulares em todas as suas unidades operacionais ambientes industriais, laboratoriais e administrativos com diferentes classificações de risco. Extintores precisam ser inspecionados periodicamente, e qualquer ocorrência de segurança deve ser registrada de forma rastreável.
O problema: não havia um processo padronizado. Cada unidade trabalhava de forma diferente, com planilhas próprias, pranchetas em papel e métodos de coleta variados. As informações coletadas em campo precisavam ser manualmente transcritas para um sistema central depois criando retrabalho, risco de erro e falta de rastreabilidade.
O projeto seguiu os princípios do Design Centrado no Usuário, com foco em entender profundamente o problema antes de propor qualquer solução. Cada fase foi guiada pelos dados coletados com os próprios usuários, garantindo que as decisões de design fossem embasadas em evidências, não em suposições.
O roadmap foi estruturado com 4 grandes fases:
Entrevistas com usuários, observação em campo e pesquisa de similares para entender profundamente o problema.
Workshops de brainwriting com usuários-chave para gerar e priorizar soluções colaborativamente.
Transformação dos conceitos em protótipos navegáveis no Figma para os dois módulos.
Duas rodadas de testes com usuários reais para validar usabilidade, desejabilidade e eficácia.
O objetivo da pesquisa de imersão foi compreender de forma aprofundada como ocorria, na prática, o processo de inspeção de extintores e abertura de ocorrências dentro das unidades. Foram realizadas 9 entrevistas semi-estruturadas com diferentes perfis envolvidos, todas online, com duração média de 40 minutos.
Além das entrevistas, foi realizada uma observação in loco em uma unidade operacional, acompanhando o processo de inspeção como ele acontece na prática uma experiência que revelou detalhes impossíveis de captar apenas nas entrevistas remotas.
Em paralelo, foi conduzida uma pesquisa de similares para mapear soluções já existentes no mercado. Os achados mostraram que as ferramentas disponíveis impunham alta carga cognitiva: cabeçalhos fixos que reduziam a área útil em mobile, termos técnicos que divergiam do modelo mental dos operadores e ausência de validação imediata em campos obrigatórios.
As notas de pesquisa foram clusterizadas em 13 grupos temáticos, consolidando dores e desejos dos usuários nos dois processos em análise. A partir dessa análise foram construídas as personas e as jornadas.
Problemas centrais mapeados para o processo de inspeção:
A jornada atual foi mapeada em 6 etapas, identificando as ferramentas usadas, os usuários envolvidos e as dores em cada ponto. A análise deixou evidente que o gargalo estava no meio do processo entre a comunicação do evento, a inspeção em campo e o registro no sistema.
As três etapas destacadas representavam a oportunidade de atuação central do projeto substituir papel, planilha e transcrição manual por um fluxo digital integrado, direto do campo para o sistema.
Foi realizado um workshop de brainwriting com usuários-chave focado nos desafios da inspeção de extintores. O objetivo foi gerar soluções colaborativamente para os problemas mapeados na imersão.
Para o módulo de inspeção, os desafios trabalhados foram: como apoiar o inspetor a reconhecer rapidamente o extintor diante dele, e como definir claramente quais dados o inspetor deve registrar em campo.
Os workshops geraram insumos diretos para o checklist padrão que foi construído a partir da comparação entre as planilhas usadas pelas diferentes unidades, identificando elementos comuns e divergentes para criar uma referência única entre todas as unidades.
Com os insumos da imersão e da cocriação consolidados, avancei para a prototipação no Figma. A estratégia foi ir diretamente para alta fidelidade — o perfil técnico dos usuários e o contexto operacional exigiam interfaces realistas para que os testes fossem válidos.
Após autenticação, o inspetor acessa uma home com panorama operacional e alternância entre unidades. Indicadores visuais de status mostram as inspeções programadas com seus prazos. Ao acessar uma inspeção, a lista de extintores é organizada por prioridade, com filtros e alertas para itens críticos. A leitura via QR Code garante acesso instantâneo aos dados do equipamento, eliminando busca manual. O checklist é segmentado por categorias e qualquer item marcado como "Não Conforme" exige obrigatoriamente evidência fotográfica.
Foram realizadas duas rodadas de testes com usuários ao longo do projeto. Na primeira, o objetivo era coletar feedbacks sobre usabilidade, fluidez do fluxo e clareza das informações. Na segunda, ampliar o número de participantes e incluir perfis de outras unidades.
"Achei legal demais, gostei! Novidade, inovação, agilidade."
"A proposta é muito boa, intuitiva. Vai agilizar bastante o nosso serviço."
"Planilha implica em erros, falta de visualização. Isso resolve."
Os testes também geraram insumos concretos para refinamento: preferência por QR Code em vez de NFC para identificação dos extintores, necessidade de funcionamento offline (confirmando achado da imersão), demanda por mais opções pré-definidas para situações de não conformidade, e sugestão de recursos adicionais de filtragem na lista de extintores.
O ciclo papel → transcrição → sistema foi eliminado. O inspetor registra em campo e a informação chega ao sistema de gestão sem etapas intermediárias.
A curadoria comparativa entre as planilhas das diferentes unidades resultou em um checklist unificado eliminando inconsistências de processo que existiam há anos.
NPS 80 na segunda rodada de testes com 100% dos participantes satisfeitos ou muito satisfeitos com a solução proposta.
Além do protótipo navegável, foram entregues histórias de usuário, documentação de testes e relatório final com recomendações para os próximos ciclos.